sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

21 de dezembro de 2012!



2012! Em época de fim de mundo, tem cada maluco pensando cada coisa!... E eu, como bom maluco, também vou pensando as minhas e gostaria de expô-las ao mundo antes que ele se acabe. Isso se esse grande evento chegar por essas bandas. De mais a mais, também quero morrer famoso, não sei pra quem, seja por inteligência ou ignorância, mas famoso, embora desconhecido, como quase tudo que ainda presta por aqui! RS!
Pensando absurdamente nisso, bem que esse ano poderia ter um significado um pouco mais majestoso, mas o meu realismo não deixa. Na melhor das hipóteses, vai acabar tudo e pronto! Mas se não acabar? E se o Acre não estiver incluído no espetáculo? Todos os meus sonhos serão defuntos!
Aliás, pelo que se tem visto no noticiário, nem o horário certo do evento o povo sabe dizer: uns diziam que seria às 9h11min. Outros, às 9h45min. Outros ainda, às 11h45min. Todos os horários já se foram... e nada! Ô gente ruim de horário! Se fosse na Inglaterra, não acontecia isso.
Mas ainda há os otimistas como eu: até a meia-noite ainda tá valendo! RS!
Entretanto, por via das dúvidas, estou embarcando hoje para sul do país, quero morrer em grande estilo, na primeira fila, com duas horas de antecedência, graças ao fuso horário – bem que poderiam ser três!... Mesmo assim, se ainda não der certo, “Vou-me embora pra Pasárgada”, pelo menos, “lá sou amigo do rei”, posso ter o mundo que quero!
E pensando nessa viagem, me veio outro pensamento trash: quem recorda do filme The Langoliers (Fenda no Tempo, no Brasil), uma minissérie em dois episódios de duas horas cada, produzida em 1995 para a televisão, baseado no livro homônimo (1990) de Stephen King, mestre do suspense? Pois é... é bem por aí. A quem não conhece, só posso dizer que não vou explicar agora, tenho que acabar o texto, pode não dar tempo.
Mas voltando agora para a realidade, de que adiantaria acabar ou não acabar o mundo, como se o que há de ruim nele já não bastasse para tê-lo acabado quase todos os dias com alguns corações de alguns seres humanos em algum lugar longínquo do próprio mundo, como o que aqui estamos, por exemplo?
Se não fosse tão absurdo, poderíamos até dizer que o acabar do mundo não deveria deixar saudade, pois é bem provável que amanhã nós acordemos e tenhamos que continuar, como bem diria Renato Russo, a celebrar o país e sua corja de assassinos, covardes, estupradores e ladrões; celebrar a juventude sem escola, as crianças mortas; celebrar nossa desunião, nossa tristeza, nossa vaidade; comemorar como idiotas a cada fevereiro e feriado, todos os mortos nas estradas, os mortos por falta de hospitais; celebrar nossa justiça, a ganância e a difamação; celebrar os preconceitos, o voto dos analfabetos; comemorar a água podre e todos os impostos, queimadas, mentiras e sequestros; celebrar a fome; alimentar o que é maldade, tudo o que é gratuito e feio, tudo o que é normal (ou imoral); festejar a violência de toda a nossa falta de bom senso, nosso descaso por educação. Celebrar, enfim, a nossa burrice coletiva sem explicação de achar graça de tudo com toda a nossa estupidez (des)humana!...
E aí, ao nos descobrirmos mais conscientes de nosso papel social no mundo, da realidade que nos cerca, poderemos então pensar sem saudosismos ou esperanças de dias melhores: QUE MERDA! O MUNDO NÃO ACABOU! Afinal, isso é Brasil. Vamos ter que continuar vivendo com tudo isso!

Wallace Rocha


segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Aquário



O mundo tem andado tão estranho...

O homem parece ter perdido o senso
Do que é ser um SER HUMANO,
Do sentido da vida na terra.

A sensibilidade anda tão rara
Quanto a delicadeza de um lapidário.
As idéias, os valores, tão controversos
Quanto a visão de um aquário.

Por onde andam a Paz, o Respeito, a Amizade?
A Ética, a Moral, a Humanidade?
Onde tudo isso mora?

Ideologia?
Sou eu quem sonha,
Mas parece que é o mundo que dorme
Agora!



Francisco Wallace

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Boca do Inferno



Gregório de Matos e Guerra nasceu em Salvador, Bahia, em 23 de dezembro de 1636, e faleceu em 26 de novembro de 1695, no Recife. De família abastada, estudou primeiramente com os jesuítas em sua cidade natal, e em 1650 mudou-se para a metrópole e formou-se em Direito no ano de 1681, em Coimbra. Lá viveu, casou e foi magistrado até seu retorno à pátria após a viuvez.
De volta à Bahia, levou uma vida boêmia e indisciplinada de advogado de poucas causas e menos recursos, improvisando versos e caçoando de toda a gente na época do Brasil Colônia. De fato era um crítico ferrenho daquela época, criticava tudo e a todos, e sua alcunha de Boca do Inferno lhe foi dada por sua ousadia em criticar a Igreja Católica, muitas vezes ofendendo padres e freiras.
É hoje considerado o maior poeta barroco do Brasil e o mais importante poeta satírico da literatura em língua portuguesa, no período colonial. Contudo, a obra poética de Gregório de Matos torna difícil o trabalho de quem queira lhe atribuir um perfil. Isso porque é muito difícil dizer exatamente o que ele escreveu, pois de sua obra pouco restou, e menos ainda se sabe sobre o que teria sido perdido. A propósito, o próprio poeta foi culpado por isso, por não se ter preocupado em guardar e organizar o que escrevia, a ponto de ter morrido inédito. O que se sabe apenas é que, como já dito, criticou tudo e a todos, desde a incapacidade administrativa dos portugueses e brasileiros bajuladores (ainda bem que hoje em dia isso não existe mais! RS!), até a Igreja e o relaxamento dos costumes da sociedade da época.
Ainda assim, apesar do pouco que restou, o conjunto de seus escritos nos fornece um vasto painel da sociedade do seu tempo, graças a seu tino especial e perspicaz de observar costumes e tradições típicas da cultura em que vivia.
Apesar de ser classificado também com poeta lírico e religioso, porque expressava em sua obra as contradições vividas pelo homem do barroco, ficou mais conhecido por sua produção satírica.
Conta a história que, certa vez, o Conde de Ericeira, Dom Luís de Meneses, pediu a Gregório de Matos que compusesse um soneto em seu louvor. O poeta não achava nada nele que pudesse ser louvado – já que o tal Conde era, como diria Machado de Assis, “mal composto de feições” –, mas para não causar o constrangimento de ter que falar da feiura do conde e, portanto, desagradá-lo, pariu a pérola abaixo e, com isso, talvez tenha dito muito mais do que se tivesse falado a verdade.

Um soneto começo em vosso gabo;
Contemos esta regra por primeira.
Já lá vão duas, e esta é a terceira;
Já este quartetinho está no cabo.

Na quinta torce agora a porca o rabo;
A sexta vá também desta maneira;
Na sétima entro já com grã canseira,
E saio dos quartetos muito brabo.

Agora nos tercetos que direi?
Direi que vós, Senhor, a mim me honrais,
Gabando-vos a vós, e eu fico um Rei.

Nesta vida um soneto já ditei;
Se desta agora escapo, nunca mais.
Louvado seja Deus, que o acabei.

O fato é que a habilidade de Gregório de Matos lhe permitiu compor um soneto sem se comprometer com elogios falsos. Usou apenas a forma clássica do soneto, esvaziando-lhe o conteúdo. Esse é apenas um exemplo da engenhosidade do poeta e de sua verve satírica.
Agora, eu cá pensei comigo: se déssemos um pé na bunda das hipócritas convenções sociais que nos amarram hoje em dia, talvez eu pudesse, à maneira irreverente de Gregório de Matos, o Boca do Inferno, ditar um soneto a alguns que me rodeiam, mas não dizendo de sua beleza ou falta dela, mas a respeito de seu caráter ou falta dele.
Por hoje, that’s all, folks!


segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Aos inimigos a lei; aos que se dizem amigos a poesia; e aos amigos mesmo... que se divirtam!



Hoje acordei um pouco ácido. E me veio justamente à mente a lembrança de alguém ainda mais ácido. Então, que neste dia 12 de novembro de 2012, aniversário de 98 anos da morte de Augusto dos Anjos, nós, que eventualmente acordamos de “ovo virado”, fiquemos com os seus Versos Íntimos, que está listado entre os 100 melhores poemas brasileiros do século XX:

Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!

Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.

Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.

Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!




quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Vou ter que trocar alguns amigos



Por Francisco Progênio

Parte I
Uma noite destas eu estava sem fazer nada e comecei a pensar nas amizades que fiz durante a vida e cheguei à conclusão que terei de trocar alguns de meus amigos e colegas. Sério! Percebi que alguns são um verdadeiro atraso de vida. Só pra vocês terem uma ideia, vou citar três situações constrangedoras a que já fui submetido por estes.
Primeiro caso: Certa vez eu estava conversando com um amigo que conhecia desde a infância, e este me falava sobre a realização do aniversário de 1 ano de seu primeiro filho. Triste, este contava que queria fazer uma festa, mas se fosse convidar todo mundo que conhecia e gostava não teria como bancá-la, por isso me perguntou: “Progênio, eu não tenho condições de fazer uma festa pra 200 pessoas, então tava pensando em convidar apenas os amigos mais próximos e importantes. O que você acha? Será que o pessoal que eu deixar de fora vai ficar triste?”. Respondi: “Claro que não. Se forem realmente seus amigos eles vão entender.” E ele saiu aliviado. O problema é que meu nome era o primeiro da lista dos NÃO CONVIDADOS. E eu achando que ele iria me convidar para ser o padrinho do menino. É mole?! O bom da história é que economizei o dinheiro do presente.
OREMOS.
Parte II
Segundo caso: Em outra oportunidade eu estava em um evento longe de casa, não sei quantos mil anos luz, na companhia de alguns amigos. Ao final do referido evento uma amiga chegou pra mim e disse: “Progênio, tu vai de quê pra casa? Vem comigo que te dou uma carona.” Pensei: “Tô com sorte”. Do nada, outro amigo também me ofereceu carona: “Progênio, tu quer ir comigo? Vou ter que passar pelo teu bairro mesmo. Deixo você na porta da tua casa.” Pensei: “Sorte em dobro. Credo! Tem alguma coisa errada”. Em dúvida entre as duas caronas acabei aceitando a da moça, pois esta havia se oferecido primeiro. Ao dispensar a carona do segundo, ele ainda me indagou: “Tem certeza que não quer ir comigo?! Vou te deixar na porta de casa.” Respondi: “Tenho sim, vou com ela”. Até aí tudo bem. O problema é que quando chegamos na metade do caminho a dita moça parou o carro e falou: “Aproveita que o sinal tá fechado e desce do carro, porque eu vou virar aqui pra poder ir pra casa”. Surpreso, pensei: “Oi?!”. Resultado: ela me deixou na metade do caminho de casa e foi embora. Ainda bem que sou um rapaz calmo, compreensivo, sereno e não fiquei com raiva. EU FIQUEI FOI COM ÓDIO! Rapaz, eu fiquei com tanto ódio, mas tanto ódio, que fui andando pra casa o resto do caminho todinho. O LOUCO! A pessoa me faz perder uma carona que iria me deixar em casa e ainda me larga no meio do caminho. “Pode isso, Arnaldo?!”
OREMOS.
Parte III
Terceiro caso: Em outra oportunidade estava conversando com uma colega e do nada esta me convidou para a festa de aniversario dela. Detalhe: com 2 meses de antecedência. Perguntei: “Tudo bem, mas onde vai ser a festa?” Ela respondeu: “Ainda não sei, mas que vai ter vai, e você é primeira pessoa que convido”. Lisonjeado falei: “Obrigado. Só peço que quando chegar à véspera você me avise em qual lugar será realizada a comemoração”. De pronto esta concordou. Embora meu orçamento para presentes já estivesse fechado para o exercício de 2012, decidi que seria uma gafe muito grande eu ter sido o primeiro a ser convidado e, talvez, o único a não levar um presente para ela. Então resolvi comprar algo parecido com ela. Escolhi e comprei. Até aí tudo bem. O problema é que a data do aniversário estava chegando e fiquei com a impressão de que ela estava evitando falar comigo. Pensei: “Deve ter acontecido alguma coisa e ela não conseguiu fazer a festa e tá com vergonha de falar”. Partindo dessa premissa, acalmei o coração e levei tudo na esportiva. MAS num belo dia, ao abrir o Facebook, adivinhem qual foi a primeira coisa que vi?! Ela postou uma ruma de fotos da festa de aniversário. Tinha até um bolo que ia de uma parede a outra da casa. Ainda bem que sou um rapaz calmo, compreensivo, sereno e não fiquei com raiva. EU FIQUEI FOI COM ÓDIO! Rapaz, eu fiquei com tanto ódio, mas tanto, que até hoje não entreguei o presente dela. Ainda tá aqui comigo. Às vezes penso em entregar pra ela, às vezes penso em dar pra alguma outra amiga ou colega, haja vista que é um presente de mulher. Enfim, ainda não sei o que fazer com este presente.
OREMOS.


sexta-feira, 26 de outubro de 2012

"Todas as coisas no mundo são metáforas."



A frase que dá título a esta nota é de Johann Wolfgang Von Goethe, que foi um importante romancista, dramaturgo e filósofo alemão, na verdade um titã da literatura universal. Nasceu na cidade de Frankfurt em 28 de agosto de 1749 e morreu em Weimar,  no dia 22 de março de 1832.
Goethe era formado em Direito e chegou a atuar como advogado por pouco tempo. Como sua paixão era a literatura, resolveu dedicar-se a esta área. Com ecos Renascentistas, abordou em sua obra os mais diversos temas e ideias, principalmente os de caráter humanístico. Foi legítimo representante do Classicismo de Weimar (busca pela imitação do classicismo grego). Também foi precursor do movimento literário alemão conhecido como “Sturm und Drang” (Tempestade e Ímpeto), que antecedeu o Romantismo. Fez parte também de dois movimentos literários importantes: romantismo e expressionismo.
Dentre as suas principais obras, destacamos as três que mais nos encantam:
a. A primeira é Os Sofrimentos do Jovem Werther. Romance escrito em 1774, é considerado pela crítica como uma obra-prima romântica da literatura universal. Trata da vida de Werther, que é tomado por uma paixão profunda, tempestuosa e desditosa por uma jovem já prometida a outro homem. Para Werther, só há um sentido na vida: Charlotte. Não havendo Charlotte, não há porque viver. Werther mergulha tão profundamente nisso, que comete suicídio. Na época, ocorreu uma onda de suicídios entre os jovens europeus que se identificaram e foram Influenciados por esse ultrarromantismo, de tão profundo que Goethe fora em suas palavras e em seu estilo de escrita. Alguns países da Europa chegaram até a impedir a circulação da obra de Goethe.
b. O drama poético Fausto, baseado numa lenda, relata a vida de Dr. Fausto, que vendeu a alma ao diabo em troca de prazeres terrenos, riqueza, poderes ilimitados, e conhecimento, coisa bem similar ao que ocorre hoje em dia. A diferença é que, à época de Goethe, os homens eram mais inteligentes, pois hoje o conhecimento perdeu o seu valor, e tudo roda em torno de um Deus chamado Dinheiro e de outro chamado Poder. Na verdade, Fausto é uma fábula existencial entre o humano e o divino, uma alegoria sobre a vida humana que celebra a humanidade e o individualismo em si.
Dos seus 83 anos de idade, mais de 60 anos foram dedicados a sua obra maior, Fausto, cuja primeira parte foi publicada em 1806, vindo a ser concluído com a publicação da segunda parte em 1832, postumamente.
c. O poema Trost in Tränen, que é dos mais bem elaborados na poesia Goetheana, será apresentado ao fim do texto, no original alemão e na humilde tradução deste blogueiro apaixonado por literatura. Tirem suas conclusões.
Goethe foi clássico, romântico, expressionista, mas acima de tudo, como diria Nietzsche, humano, demasiadamente humano. Seus personagens são de certa forma tão profundos e realistas que nos passam a sensação de realmente terem existido. Talvez por isso mesmo a sua obra ainda hoje encontre ecos em nossa sociedade moderna, com seu eterno retorno às substâncias da qual nós, todos os seres humanos, com todas as suas dualidades, somos feitos. Ele costumava dizer que "A igualdade nos faz repousar. A contradição é que nos torna produtivos." Goethe é hoje considerado o maior escritor alemão.
Vamos ao poema:
Trost in Tränen
Johann Wolfgang von Goethe

Wie kommt’s, dass du so traurig bist,
Da alles froh erscheint?
Man sieht dir’s an den Augen an,
Gewiss, du hast geweint.

“Und hab’ ich einsam auch geweint,
So ist’s mein eigner Schmerz,
Und Tränen fliessen gar so süss,
Erleichtern mir das Herz.”

Die frohen Freunde laden dich,
O komm an uns’re Brust!
Und was du auch verloren hast,
Vertraure den Verlust.

“Ihr lärmt und rauscht und ahnet nicht,
Was mich, den Armen, quält.
Ach nein, verloren hab’ ich’s nicht,
So sehr es mir auch fehlt.”

So raffe denn dich eilig auf,
Du bist ein junges Blut.
In deinen Jahren hat man Kraft
Und zum Erwerben Mut.

“Ach nein, erwerben kann ich’s nicht,
Es steht mir gar zu fern.
Es weilt so hoch, es blinkt so schön,
Wie droben jener Stern.”

Die Sterne, die begehrt man nicht,
Man freut sich ihrer Pracht,
Und mit Entzücken blickt man auf,
In jeder heitern Nacht.

“Und mit Entzücken blick’ ich auf
So manchen lieben Tag;
Verweinen lasst die Nächte mich,
So lang’ ich weinen mag.”


Conforto em Lágrimas
Tradução: Wallace Rocha

Como pode tu estás tão triste,
Enquanto todos parecem felizes?
Pode-se ver em teus olhos
Que certamente choraste.

"Se chorei, chorei em solidão,
Essa é a minha própria dor,
E as lágrimas fluem tão docemente,
Que confortam meu coração."

Os teus amigos, alegres, estão te convidando,
Ah, vamos, então, aos nossos corações!
E deixe o que você perdeu para lá,
Confia a tua perda a nós.

"Tu gritas, me atormenta, e nada sabe,
Quanto a mim, ó pobre atormentado.
Ah, não! Eu não sofri perda alguma,
Por mais que eu também esteja perdido."

Então, levanta-te depressa!
Tu és jovem e cheio de vida.
Na tua idade se tem força
E coragem para dar e vender,

"Oh, não! Não tenho!
O que eu procuro está muito longe.
Habita nas alturas e brilha tanto
Quanto a estrela brilhante".

As estrelas, não podemos alcançar,
Mas nos regozijamos com o seu esplendor,
Com olhar de encantamento,
A cada noite clara e radiante.

"Sim, com olhar de encantamento eu olho
Em muitos dias felizes;
Então, deixe-me passar a noite,
Enquanto eu quiser chorar!"


Wallace Rocha


terça-feira, 9 de outubro de 2012

Rana et bos: altera fabula



Inops, potentem dum vult imitari, perit.

In prato quondam rana conspexit bovem,
et tacta invidia tantae magnitudinis
rugosam inflavit pellem; tum natos suos
interrogavit an bove esset latior.
illi negarunt. Rursus intendit cutem
maiore nisu, et simili quaesivit modo, 
quis maior esset. Illi dixerunt bovem.
Novissime indignata, dum vult validius
inflare sese, rupto iacuit corpore. 



Morale:
Nec invideat superiori, quod miserum est; nec quod stultitia est, aquare optet.
Invidia et superbia facit hominem pereunt.


segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Vamos brincar de índio?



                Narram as crônicas eleitorais do município do Jordão, interior do Estado do Acre, que certo candidato, escolado na arte da política eleitoreira, portanto ávido por votos, já se via vitorioso nas eleições municipais daquele ano, uma vez que estava acostumado com a ingenuidade da população urbana local. Porém, como estratégia de campanha ainda mais segura, centrou suas atenções nos votos da comunidade rural da região, predominantemente indígena, pois lhe faltava apenas o apoio dessa gente para sacramentar de vez a vitória, já dada como quase certa.
                Resolveu então fazer campanha fluvial, visitar as aldeias indígenas, conversar com os chefes das tribos... tudo isso no mais descarado estilo de pedir votos; e numa dessas visitas, encontrou os Kaxinawá[1] do Rio Jordão reunidos, parou, procurou o cacique da tribo e pediu-lhe para fazer o velho discurso de campanha, com aquela lábia característica que a nós, os brancos, sempre convence.
                Os índios, como nós, embora já habituados com as vigarices do homem branco, são boa gente hospitaleira e, por isso, o receberam com alegria quase festiva, apertos de mãos, abraços e cumprimentos tribais... e com a mesma hipocrisia a eles dispensada pelo candidato, mas com muito mais classe.
                — Povo Kaxinawá, tô aqui hoje pra pedir o apoio Kaxinawá nas eleição. Como vocês sabe... – começou o redundante aspirante o seu insulto à tribo, num português até aceitável para o nível dos candidatos que se apresentam hoje em dia, mas já demonstrando que não conhecia muito bem a etimologia do termo indígena empregado na frase nem o que ele significava para aquele povo, muito menos as regras de concordância do nosso tão massacrado idioma. Por mais ou menos dez minutos, continuou o blábláblá ferino aos indígenas e ao vernáculo e arrematou o pedido erguendo os dois braços com os punhos cerrados: — Posso contar com o voto Kaxinawá pra gente irmos junto à vitória?! – e esboçou feição de cínica dissimulação à espera de resposta positiva.
Os índios, que haviam estado em silêncio até aquele momento, olharam todos para aquilo e, em seguida, para o cacique, que olhou para o seu povo, fez um sinal com a cabeça, e todos os índios, que conheciam o português e as intenções do candidato talvez um pouco melhor que ele próprio, estamparam no rosto um risinho também cínico, mas contido, ergueram também os braços com os punhos cerrados e, em coro, pronunciaram:
                — Huni kuinman![2]
                O candidato não entendeu patavinas! Mas, embora aflito por entendimento, se fez parecer entendido por aquela fingida inteligência que só os ignorantes explícitos conhecem e dela fazem uso muito bem. Em seguida, só para se certificar, olhou para o cacique, que acenou com a cabeça em sinal positivo, e o pretendente aos votos esboçou de volta um risinho amarelo, acanhado de ignorância, e que logo agravou o seu estado de estupidez depois de novo coro risonho dos índios:
                — Huni kuinman! Dayanãwẽ![3]                              
                A esta segunda tão efusiva manifestação, o candidato, ainda meio desconfiado e sem entender bulhufas, mesmo assim, respirou aliviado. Tinha que ser algo bom. O sorriso era agora mais largo e descontraído, quase de agradecimento. Pensou que aquela sua lembrança esporádica e imediata dos índios certamente faria os índios lembrarem-se dele agora.
                O cacique tocou-lhe o ombro em sinal amistoso e, sorrindo, conduziu o candidato, esfuziante de estúpida alegria, até a saída da aldeia. E como prova inconteste de amizade, o cacique, sorrindo, pronunciou as últimas palavras:
                — Huni patapabiakẽ ẽ haibuhairaki.[4]
                Os índios gargalharam. O candidato sorriu de volta em agradecimento definitivo.
                Deixou a aldeia com a sensação de ter feito a melhor de suas barganhas políticas e com o seguinte pensamento: A vitória era certa. Certíssima! Os índios estavam com ele.
                No dia das eleições, a surpresa: vitória do candidato opositor, que nunca se esquecera de visitar aquela e outras aldeias muitas vezes antes, mesmo que não fosse candidato. Estava aí o reconhecimento dos Kaxinawá a um Huni kuin.
                Moral da nossa história? Creio que é hora de nós brincarmos de ÍNDIO!

Wallace Rocha


[1] Autodenominam-se "Huni Kuin" (Homem Verdadeiro). A palavra Kaxinawá significa literalmente "Povo do Morcego" e não é muito bem aceita por alguns indígenas dessa etnia.
[2] Seu falso! (Literalmente: Homem não verdadeiro!)
[3] Seu espertalhão! Vai trabalhar! (Lit.: Homem não verdadeiro! Trabalha!)
[4] Ele é tonto até na esperteza (mas é meu amigo). (Lit.: Homem danado de esperto; é verdadeiro na esperteza. Deve ser entendido por ironia, significando exatamente o contrário, algo bem próximo da nossa expressão “Ô coisa linda!”, significando “feio”, tratamento que só os amigos se permitem)

domingo, 23 de setembro de 2012

Campanha Eleitoral



Um político está andando tranquilamente quando é atropelado e morre. Quando chegou do outro lado, encontrou um ancião que lhe disse:
Filho, estava a sua espera. Seja bem-vindo ao Paraíso! Antes que você entre, porém, há um probleminha: raramente vemos parlamentares por aqui, então não sabem bem o que fazer com você. É certo que aqui você pode fazer uso do seu livre arbítrio. Portanto, hoje vou mandá-lo ao inferno para que passe o dia lá. Amanhã o mandarei para o Céu. Na volta você me dirá onde quer ficar.
Ah! – disse o político – Claro que quero o céu!
Não!... para decidir, primeiro você tem que passar pelos dois...
O político, então, desolado, bateu à porta do inferno. Que surpresa! Quem veio lhe atender foi o capeta em pessoa, um senhor muito gentil, que o levou para uma sala enorme, o acomodou numa poltrona de veludo e lhe disse para ficar à vontade que voltaria logo.
Ali a cerveja rolava, tinha muita comida e mulheres lindíssimas. A mais bela de todas aproximou-se e, de modo carinhoso, disse-lhe:
Venha, fique aqui conosco, participe.
Ele não podia acreditar naquilo... Caiu na farra e pensava: “lá na Terra tá todo mundo deixando de “curtir” por medo de ir para o inferno! Não acredito nisso! Quer saber de uma coisa? Vou ficar por aqui mesmo, o Céu deve de ser uma chatice, com anjinhos tocando harpa etc e tal... uma monotonia só!”
Lá pelas tantas o capetão apareceu e lhe disse:
Bem, acabou o seu tempo. Espero que o senhor faça uma boa escolha e fique com a gente...
Claro, disse ele... Só não vou ficar de uma vez porque é contra o regulamento, mas não vou demorar nadinha no Céu. Amanhã, antes da hora do almoço, estarei por aqui. – disse lançando olhares de promessa para a moça que o recebeu.
À saída do Inferno, lá estava o ancião.
Filho, – disse-lhe ele – amanhã bem cedo você vai para o Céu passar o dia lá.
No dia seguinte lá se foi ele; e aconteceu como previra: o Céu realmente era uma droga. Lá estavam os tais anjinhos anêmicos, tocando as suas monótonas harpas, enquanto algumas senhoritas envoltas em mantos brancos cantavam melodias celestiais. Ele não teve dúvidas: elogiou daqui, fez um agrado dali, deu uma disfarçadinha e saiu fora. Ufa!, afinal se livrara mais fácil do que imaginara. Não via a hora de ir para o inferno!
Quando saiu, lá estava, à porta, outra vez, o ancião, que lhe disse:
E aí, filho, pensou bem? Cuidado para não escolher errado.
Fique tranqüilo. – disse – Nunca tive tanta certeza de algo. Quero ir para o inferno!
Bem, só me resta lhe desejar boa sorte.
Com as faces em brasa e o coração aos pulos, ele bateu outra vez à porta do inferno. Desta vez não foi o mesmo capeta, simpático, que veio atendê-lo, muito pelo contrário, era um sujeito mal vestido e com cara de poucos amigos, que o mandou sentar numa cadeira velha e aguardar.
Dali dava para ver a sala onde estivera e, para a sua decepção, não havia mais nada do que vira. No lugar das belas mulheres agora havia um balcão sujo e um monte de gente na fila para receber um mísero pedaço de pão, enquanto a capetada mal encarada dizia: “vamo andando, minha gente, que inda tem muito trabaio!”
Resolveu perguntar. Na primeira chance chamou um sujeito que passava e lhe disse:
Psiu, por favor, diga-me uma coisa. Eu estive aqui ontem e estava muito diferente do que está agora. O que aconteceu?
É fácil de explicar. – disse-lhe o outro – Até ontem estávamos em campanha eleitoral, agora já conseguimos o seu voto!





sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Apenas uma Fábula



        Esta é a fábula de um alto executivo que, estressado, foi ao psiquiatra. Relatou ao médico o seu caso. O psiquiatra, experiente, logo diagnosticou:
      ─ O senhor precisa se afastar por duas semanas da sua atividade profissional.   O conveniente é que vá para o interior, se isole do dia a dia e busque algumas atividades que o relaxem.
            Então o nosso executivo procurou seguir as orientações. Munido de vários livros, CDs e laptop, mas sem o celular, partiu para a fazenda de um amigo. Passados os dois primeiros dias, o nosso executivo já havia lido dois livros e ouvido quase todos os CDs. Continuava inquieto. Pensou então que alguma atividade física seria um bom antídoto para a ansiedade que ainda o dominava.
            Chamou o administrador da fazenda e pediu para fazer algo. O administrador ficou pensativo, viu uma montanha de esterco que havia acabado de chegar e disse ao nosso executivo:
          ─ O senhor pode ir espalhando aquele esterco em toda aquela área que será preparada para o cultivo.
            O administrador pensou consigo: “Ele deverá gastar uma semana com essa tarefa”.
            Ledo engano.
            No dia seguinte o nosso executivo já tinha distribuído o esterco por toda a área.
            O administrador então lhe deu a seguinte tarefa: abater 500 galinhas com uma faca.
            Essa foi fácil! Em menos de 3 horas já estavam todas prontas para serem depenadas.
            Pediu logo uma nova tarefa.
            O administrador então lhe disse:
        ─ Estamos iniciando a colheita de laranjas. O senhor vá ao laranjal levando três cestos para distribuir as laranjas por tamanho: pequenas, médias e grandes.
        No fim daquele primeiro dia o nosso executivo não retornou. Preocupado, o administrador se dirigiu ao laranjal. Viu o nosso executivo com uma laranja na mão, os cestos totalmente vazios, falando sozinho:
            ─ Esta é grande. Não, é média. Ou será pequena?
            ─ Esta é pequena. Não, é grande. Ou será média?
            ─ Esta é média. Não, é pequena. Ou será grande?
           
Moral da história: Espalhar merda e cortar cabeças é fácil. O difícil é tomar decisões. Mais difícil ainda é tomar as decisões certas. Pois, às vezes, revestidos de arrogância ou ignorância, pensamos estar fazendo o certo quando estamos fazendo o errado, e tomamos decisões absurdas simplesmente por não sabermos o que fazer.


terça-feira, 11 de setembro de 2012

Época de eleição: é sempre bom lembrar!


ANTES DA POSSE

Nosso partido cumpre o que promete.
Só os tolos podem crer que
não lutaremos contra a corrupção.
Porque, se há algo certo para nós, é que
a honestidade e a transparência são fundamentais
para alcançar nossos ideais
Mostraremos que é grande estupidez crer que
as máfias continuarão no governo, como sempre.
Asseguramos sem dúvida que
a justiça social será o alvo de nossa ação.
Apesar disso, há idiotas que imaginam que
se possa governar com as manchas da velha política.
Quando assumirmos o poder, faremos tudo para que
se termine com os marajás e as negociatas.
Não permitiremos de nenhum modo que
nossas crianças morram de fome.
Cumpriremos nossos propósitos mesmo que
os recursos econômicos do país se esgotem.
Exerceremos o poder até que
Compreendam que
Somos a nova política.

DEPOIS DA POSSE
Basta ler o mesmo texto acima, DE BAIXO PARA CIMA.


quarta-feira, 5 de setembro de 2012

O Barbeiro



               O florista foi ao barbeiro para cortar seu cabelo. Após o corte, perguntou ao barbeiro o valor do serviço, e o barbeiro respondeu:
            - Não posso aceitar seu dinheiro porque estou prestando serviço comunitário essa semana.
            O florista ficou feliz e foi embora. No dia seguinte, ao abrir a barbearia, havia um buquê com uma dúzia de rosas na porta e uma nota de agradecimento do florista.
            Mais tarde, no mesmo dia, veio um padeiro para cortar o cabelo. Após o corte, ao pagar, o barbeiro disse:
            - Não posso aceitar seu dinheiro porque estou prestando serviço comunitário essa semana.
            O padeiro ficou feliz e foi embora. No dia seguinte, ao abrir a barbearia, havia um cesto com pães e doces na porta e uma nota de agradecimento do padeiro.
            Naquele terceiro dia veio um político para um corte de cabelo. Novamente, ao pedir para pagar, o barbeiro disse:
            - Não posso aceitar seu dinheiro porque estou prestando serviço comunitário essa semana.
            O político ficou feliz e foi embora.
No dia seguinte, quando o barbeiro veio abrir sua barbearia, havia uma dúzia de políticos fazendo fila para cortar cabelo.  
            Essa é a diferença entre os cidadãos e os políticos.
            "Os políticos e as fraldas devem ser trocados frequentemente e pela mesma razão." (Eça de Queiróz)


terça-feira, 28 de agosto de 2012

JOAQUIM BARBOSA – de faxineiro a Ministro do STF


Por Danielle Vitorino



Ex faxineiro, ele limpava banheiros no TRE do Distrito Federal.
Filho de uma dona de casa e de um pedreiro.
Dividia o tempo entre os bancos da escola e a faxina no TRE do Distrito Federal.
Apaixonado por línguas.
Um dia, o mineiro, na certeza de estar sozinho, cantava uma canção em inglês enquanto limpava o banheiro do TRE. Naquele exato momento, um diretor do tribunal entrou e achou curioso o fato de uma pessoa da faxina ser fluente em outro idioma. A curiosidade se transformou em admiração e, na prática, abriu caminho para outras funções.
Hoje, Joaquim Barbosa é fluente em francês, inglês, espanhol e alemão. 
Formou-se em Direito pela UNB, sendo à época o único negro da faculdade. Passou nos concursos de Oficial da Chancelaria, Advogado do Serviço Federal, Procurador da República, Professor da Universidade do Rio de Janeiro.
Ahh!, ele toca piano e violino desde os 16 anos de idade.
E na última semana tornou-se o orgulho do país.

Crédito foto: reportercoragem.com.br



quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Motivação: como funciona


                  Todos os dias, uma formiga chegava cedinho ao escritório e pegava duro no trabalho. A formiga era produtiva e feliz. O gerente marimbondo estranhou a formiga trabalhar sem supervisão. Se ela era produtiva sem supervisão, seria ainda mais produtiva se fosse supervisionada. E colocou uma barata, que preparava belíssimos relatórios e tinha muita experiência como supervisora. A primeira preocupação da barata foi a de padronizar o horário de entrada e saída da formiga.
                Logo, a barata precisou de uma secretária para ajudar a preparar os relatórios e contratou também uma aranha para organizar os arquivos e controlar as ligações telefônicas. O marimbondo ficou encantado com os relatórios da barata e pediu também gráficos com indicadores e análise das tendências que eram mostradas em reuniões. A barata, então, contratou uma mosca e comprou um computador com impressora colorida. Logo, a formiga, produtiva e feliz, começou a se lamentar de toda aquela movimentação de papéis e reuniões!
                O marimbondo concluiu que era o momento de criar a função de gestor para a área onde a formiga produtiva e feliz trabalhava. O cargo foi dado a uma cigarra, que mandou colocar carpete no seu escritório e comprar uma cadeira especial. A nova gestora cigarra logo precisou de um computador e de uma assistente, a pulga (sua assistente na empresa anterior), para ajudá-la a preparar um plano estratégico de melhorias e um controle do orçamento para a área onde trabalhava a formiga, que já não cantarolava mais e a cada dia se tornava mais chateada.
                A cigarra, então, convenceu o gerente marimbondo de que era preciso fazer um estudo de clima. Mas o marimbondo, ao rever as cifras, se deu conta de que a unidade na qual a formiga trabalhava já não rendia como antes e contratou a coruja, uma prestigiada consultora, muito famosa, para que fizesse um diagnóstico da situação. A coruja permaneceu três meses nos escritórios e emitiu um volumoso relatório, com vários volumes que concluía: Há muita gente nesta empresa!
                E adivinha quem o marimbondo mandou demitir? A formiga, claro, porque ela andava muito desmotivada e aborrecida.
                Alguém aí já viu esse filme? Bom trabalho a todas as formigas!


terça-feira, 14 de agosto de 2012

O Radinho da Vovó – um causo verídico!


Vejam que maravilhoso exemplo de desprendimento.

Carta enviada ao diretor de uma escola primária que ofereceu um almoço em homenagem às pessoas idosas da comunidade. Durante o almoço, uma das senhoras convidadas ganhou um rádio, num sorteio realizado com os cupons que foram entregues na porta. Ela escreveu uma carta emocionada em agradecimento aos promotores do evento.

Vejam que LIÇÃO DE VIDA:

“Caros alunos e membros da direção,
Deus abençoe a vocês pelo lindo rádio que ganhei em homenagem aos idosos! Tenho 84 anos e moro em um Lar de Velhinhos.

Toda a minha família já faleceu e não tenho mais parentes. Aqui no nosso Lar, divido o quarto com uma companheira mais idosa (ela tem 95 anos de idade) que não pôde comparecer ao almoço por estar muito deprimida.  
Durante muitos anos em que convivemos, ela teve um Radinho como o meu, que lhe fazia companhia constante. Ela nunca permitiu que eu ouvisse o rádio dela, mesmo quando estava dormindo ou ausente. 

Há algum tempo, no entanto, o rádio dela caiu e se espatifou no chão. 

Foi muito triste para ela, que chorou muito. 

Então eu ganhei este rádio e, no dia seguinte ao almoço, ela pediu-me humilde e comovidamente para ouvi-lo, e eu, olhando para seus olhinhos marejados, disse: 

- Nem fudendo, sua velha filha da puta! 

Obrigada por me proporcionarem essa inesquecível oportunidade!”


segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Varrendo a "sujeira" para debaixo do tapete


Domingo fui ao Gamelão dar uma olhadinha no Arraial organizado pela prefeitura. Fui desarmado de todo tipo de rancor.

Nesses eventos, diferente da maioria dos coitados que nunca ouviram falar em “panis et circensis”, costumo ficar arreliado, procurando filtrar os discursos, calcular o grau de satisfação dos incautos apreciadores de marmotas. Juro que não fui para ver, muito menos criar problema.

Diferente da maioria, que se lambuza na gamela, prefiro ficar pelos cantos meio envergonhado de ser pego em eventos pagos com meus impostos sem a devida transparência. Vergonha de ser abestado.

Fiquei pelos cantos, mais exatamente ao lado do palco onde as “autoridades” se empoleiram. Comparando mal, o palco do Gamelão é como um trono egípcio. No alto da escada os seguranças imóveis parecem estátuas a proteger um faraó; se botar uma lança na mão e botar um penacho na cabeça ficam parecendo um dos Dragões da Independência no Palácio do Planalto. 

Ali, poucos sobem, por precaução talvez, com medo de ter que pagar algum impostozinho criado de última hora só para aproveitar a oportunidade.

Mas, como falei, não fui criticar a festa, fiquei ao lado porque era o único lugar de onde seria possível ver as Quadrilhas se apresentando.

E lá pelas tantas um pouco antes da primeira apresentação dois cidadãos cruzeirenses (cidadãos na marra sem título concedido pela Câmara Municipal, é claro), moradores de rua, um de nome da família dos galináceos, outro da família do tabaco, pintaram na festa. 

O Brejeira rodou por ali, e como talvez achando toda aquela baboseira um tremendo saco, voltou para casa, que no caso dele é qualquer lugar ali pelo centro. Já o Galo cometeu o grave pecado de querer dormir ali pela Gamela, quem sabe aproveitando a boa música do Bruno Barros.

Mesmo dormindo, a presença daquele cidadão cruzeirense (sem título concedido pela Câmara Municipal, é claro) representava uma terrível ameaça ao “sucesso do evento”.

Não posso provar, mas acredito que a “ordem de limpeza” deve ter partido dos organizadores do evento, pois pelo que conheço de seguranças eles são super limitados das ideias, mesmo as mais tolas.

Assim, dois seguranças agarraram o “criminoso” com a missão de afastá-lo das vistas do povo. Foi quando vieram na minha direção. Um dos seguranças-garis, parecendo o comandante da guarnição, resolveu o problema da pior maneira possível, jogando o cidadão sob a armação do palco, onde o faraó, ou seja o “prefeito municipal”, a esposa do “prefeito municipal” e alguns secretários estavam. E o fez de uma forma desumana, demonstrando uma violência desnecessária, empurrando a perna do cidadão (que insistia em não ficar escondida embaixo do garajau) com o bico do coturno. Um cidadão ao lado tomou as dores e os dois seguranças-garis o encararam; me aproximei do provável tumulto e pedi calma. O rapaz encarado tratou de sair; e os seguranças, reconhecendo a vacilada, também. E a festa comendo no centro...
              
                Saquei o celular e fiz a imagem abaixo:



Parece que alguns grupos ainda se apresentaram, mas a imagem daquele cidadão (que é portador de deficiência mental e é preso todo dia ali pelos mercados) ali, jogado embaixo do palco do evento, era forte demais para ser ignorada.

Assim caminha a humanidade, assim nossos governantes tratam os excluídos, os indesejáveis, os desajustados. Dissimulando, escondendo, camuflando...

Varrendo a sujeira para debaixo do tapete, acreditam que estão se livrando da responsabilidade, ou pelo menos, maquiando a realidade.

Dessa vez eles não conseguiram. 

Texto: Antônio Franciney
Administrador do BLOG DO FRANCINEY (http://minhascolinas.blogspot.com.br)