segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Não sigo o Calendário Maia nem a Geografia do PT e eu gosto mesmo é de PENSAR e de NESCAU!

Não me lembro de nenhum fato histórico que tenha causado tanto frisson ao redor do mundo quanto causou o famigerado “bug do milênio”. Quem não se lembra disso? Tão grandes eram as preocupações quanto são as despreocupações de hoje para um próximo evento como esse! Por que foi assim? Não tínhamos precedentes. Hoje temos e sabemos que nem fez sentido tanta tempestade em copo d’água! Ficamos como crianças porque fizemos do desconhecido, do nada, algo monumental. Assim evoluem as ciências, o mundo e os homens de bom-senso! Para mim, todo esse raciocínio é meramente lógico! E acho que esta foi uma boa maneira de começar um texto ainda sem rumo certo e arrematar o primeiro parágrafo! RS!
No Acre atual o problema não é o bug, mas o horário, que aliás já reacendeu a discussão sobre o fim dos tempos!... Só não me perguntem qual a relação que uma coisa guarda com a outra porque eu não tenho a menor idéia! Mas acreditem: outro dia me perguntaram se o mundo acaba mesmo em 2012 e se o adiantar da hora do Acre já é um prenúncio disso! Fiquei perplexo, irritado! Não pela esculhambação que a mudança do horário causou e tem causado nos últimos dias, mas pela ignorância do cidadão, que com certeza vai votar de novo no PT. Putz! Depois até pensei: “Bem que poderia ser assim, pois era só adiantar mais umas horinhas que a gente pegava o primeiro lugar na fila do Dia do Juízo Final! Bem que merecemos!” Mas depois, de novo, o meu pensamento besta passou, e ficaram as irônicas ressonâncias políticas de estar no topo para o início do fim! Tomara que seja uma profecia política para as próximas eleições! Aliás, uma hora a mais, uma hora a menos, isso não faz a menor diferença, já que só precisamos mesmo é de 10 segundos para olhar na cara do candidato que a gente quer que perca e dizer “perdeu, playboy!” para, em seguida, votar naquele que a gente quer que ganhe. E pronto!
Mas esse negócio de “uma hora a mais, uma hora a menos” trouxe tantas coisas à minha cabeça!... Afinal, o que você faria em uma hora (ou se só lhe restasse uma hora)?
Em uma hora é possível tomar café, almoçar ou jantar; é possível morrer de rir ou de chorar; é possível ser uma boa companhia!
Uma hora é o tempo suficiente para um abrigo; pra conversar com o pai, a mãe, o irmão; é o tempo suficiente para um amigo!
Uma hora é o tempo preciso pra sonhar; pra rir ou andar à toa; apreciar a natureza numa boa; pra ter mais alegria!
Uma hora é suficiente pra crescer; pra conhecer e ter a certeza de que aquela pessoa é o amor da sua vida!
Uma hora é um tempo do dia, que pode fazer-se poesia pra dizer mil vezes “te amo, querida”!
Uma hora é o tempo do acaso; é suficiente pra ter 04 orgasmos! – Ah! Meus 18 anos! –, coisas bem mais úteis do que acreditar que apenas uma hora faria o ACRE sair do atraso! RS!
Em uma hora é possível nascer; é possível crescer; é possível viver; é possível morrer... Uma hora é a vida!
Tudo isso, sim, são coisas realmente importantes e que talvez possam ser cruciais para o ano que se inicia.
E para aqueles que acreditam mesmo que o mundo vai acabar em 2012, de acordo com o Calendário Maia, e não vão se mexer para fazer nada, vai aí um pouco de informação... talvez possa ajudar:

“O calendário de conta longa é apenas um entre os vários que os mais usavam. Assim como os nossos meses, anos e séculos, ele se estrutura em unidades de tempo cada vez maiores. Cada 20 dias formam um “mês”, ou uinal. Cada 18 uinals, um tun, ou “ano”, cada 20 tuns faziam um katun, e assim sucessivamente. Enquanto o nosso sistema de contagem de séculos não leva a um fim, o calendário de conta longa maia dura cerca de 5.200 anos e se encerra na data 13.0.0.0.0., que para muitos estudiosos (não há um consenso a respeito) corresponde ao nosso 21/12/2012. Isso não significa que eles esperassem pelo fim do mundo naquele dia. “Os povos ameríndios não tinham uma concepção linear de tempo que permitisse pensar num fim absoluto”, diz Eduardo Natalino dos Santos, professor de História da América Pré-hispânica da USP. Ele diz que há textos míticos mais que falam em idades anteriores ao aparecimento da humanidade atual, e afirmam que a era atual duraria 5.200 anos. “Mas em nenhum lugar se dia que o ciclo que estamos vivendo seria o último.” A maioria dos estudiosos acredita que, após chegar à data final, o calendário se reiniciaria. Assim como, para nós, o 31 de dezembro é sucedido pelo 1 de janeiro, para eles o dia 22/12/2012 corresponderia ao 0.0.0.0.1.”[1]
Mas para os que ainda não se convenceram, a Nestlé pode dar um alento! RS!

E é por isso que eu digo: Não sigo o Calendário Maia nem a Geografia do PT e eu gosto mesmo é de PENSAR e de NESCAU!

PS: Atenção, Nestlé! Eu vou cobrar merchandising, e o preço vai ser por uma hora RS!


Wallace Rocha



[1] Nogueira, Pablo. Revista Galileu, Ed. 206 – Set de 2008. Ed. Globo.





sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

A face da sobrevivência*



            O mercado de trabalho está para todos, desde que todos estejam para o trabalho. Essa sentença encarcera muitos por aí. Uns por preguiça; outros porque querem ganhar o que não se esforçam para ganhar.
            Há aqueles que vão morrer infelizes com o que ganham, mas não vão tomar a menor atitude de se preparar e buscar algo melhor.
            A desculpa que mais vejo e até gosto, confesso, é: “Eu não vou me submeter a isso”.
            Essas moças, como muitas outras e outros também, ganham 25,00 reais por dia. Levantando cartazes em pontos estratégicos da cidade de Rio Branco, vão aproximando as pessoas das promoções e ganhando o seu tostão nada furado.
            Eu me lembro de uma fase da minha vida, em que vendia pão doce na rua. Era divertido, e sei que isso me capacitou hoje para não ter corpo mole para o trabalho.
            Essa é uma lição para quem quer muito, mas nem o pouco é capaz de fazer!

*Glauco Capper
Graduando em Comunicação Social pela UFAC, é fotógrafo e administrador do BLOG NO CALIBRE! (www.26mm.blogspot.com).


terça-feira, 13 de dezembro de 2011

A árvore de Natal na casa do Cristo*

Havia num porão uma criança, um garotinho de seis anos de idade, ou menos ainda. Esse garotinho despertou certa manhã no porão úmido e frio. Tiritava, envolto nos seus pobres andrajos. Seu hálito formava, ao se exalar, uma espécie de vapor branco, e ele, sentado num canto em cima de um baú, por desfastio, ocupava-se em soprar esse vapor da boca, pelo prazer de vê-lo se esvolar. Mas bem que gostaria de comer alguma coisa. Diversas vezes, durante a manhã, tinha se aproximado do catre, onde num colchão de palha, chato como um pastelão, com um saco sob a cabeça à guisa de almofada, jazia a mãe enferma. Como se encontrava ela nesse lugar? Provavelmente tinha vindo de outra cidade e subitamente caíra doente. A patroa que alugava o porão tinha sido presa na antevéspera pela polícia; os locatários tinham se dispersado para se aproveitarem também da festa, e o único tapeceiro que tinha ficado cozinhava a bebedeira há dois dias: esse nem mesmo tinha esperado pela festa. No outro canto do quarto gemia uma velha octogenária, reumática, que outrora tinha sido babá e que morria agora sozinha, soltando suspiros, queixas e imprecações contra o garoto, de maneira que ele tinha medo de se aproximar da velha. No corredor ele tinha encontrado alguma coisa para beber, mas nem a menor migalha para comer, e mais de dez vezes tinha ido para junto da mãe para despertá-la. Por fim, a obscuridade lhe causou uma espécie de angústia: há muito tempo tinha caído a noite e ninguém acendia o fogo. Tendo apalpado o rosto de sua mãe, admirou-se muito: ela não se mexia mais e estava tão fria como as paredes. "Faz muito frio aqui", refletia ele, com a mão pousada inconscientemente no ombro da morta; depois, ao cabo de um instante, soprou os dedos para esquentá-los, pegou o seu gorrinho abandonado no leito e, sem fazer ruído, saiu do cômodo, tateando. Por sua vontade, teria saído mais cedo, se não tivesse medo de encontrar, no alto da escada, um canzarrão que latira o dia todo, nas soleiras das casas vizinhas. Mas o cão não se encontrava ali, e o menino já ganhava a rua.
Senhor! Que grande cidade! Nunca tinha visto nada parecido. De lá, de onde vinha, era tão negra a noite! Uma única lanterna para iluminar toda a rua. As casinhas de madeira são baixas e fechadas por trás dos postigos; desde o cair da noite, não se encontra mais ninguém fora, toda gente permanece bem enfunada em casa, e só os cães, às centenas e aos milhares,uivam, latem, durante a noite. Mas, em compensação, lá era tão quente; davam-lhe de comer... ao passo que ali... Meu Deus! se ele ao menos tivesse alguma coisa para comer! E que desordem, que grande algazarra ali, que claridade, quanta gente, cavalos, carruagens... e o frio, ah! este frio! O nevoeiro gela em filamentos nas ventas dos cavalos que galopam; através da neve friável o ferro dos cascos tine contra a calçada; toda gente se apressa e se acotovela, e, meu Deus! como gostaria de comer qualquer coisa, e como de repente seus dedinhos lhe doem! Um agente de polícia passa ao lado da criança e se volta, para fingir que não vê.
Eis uma rua ainda: como é larga! Esmaga-lo-ão ali, seguramente; como todo mundo grita, vai, vem e corre, e como está claro, como é claro! Que é aquilo ali? Ah! Uma grande vidraça, e atrás dessa vidraça um quarto, com uma árvore que sobe até o teto; é um pinheiro, uma árvore de Natal onde há muitas luzes, muitos objetos pequenos, frutas douradas, e em torno bonecas e cavalinhos. No quarto há crianças que correm; estão bem vestidas e muito limpas, riem e brincam, comem e bebem alguma coisa.  Eis ali uma menina que se pôs a dançar com um rapazinho. Que bonita menina! Ouve-se música através da vidraça. A criança olha, surpresa; logo sorri, enquanto os dedos dos seus pobres pezinhos doem e os das mãos se tornaram tão roxos que não podem se dobrar nem mesmo se mover. De repente o menino se lembrou de que seus dedos doem muito; põe-se a chorar, corre para mais longe, e eis que, através de uma vidraça, avista ainda um quarto, e neste outra árvore, mas sobre as mesas há bolos de todas as qualidades, bolos de amêndoa, vermelhos, amarelos, e eis sentadas quatro formosas damas que distribuem bolos a todos os que se apresentem. A cada instante, a porta se abre para um senhor que entra. Na ponta dos pés, o menino se aproximou, abriu a porta e bruscamente entrou. Huu! Com que gritos e gestos o repeliram! Uma senhora se aproximou logo, meteu-lhe furtivamente uma moeda na mão, abrindo-lhe ela mesma a porta da rua. Como ele teve medo! Mas a moeda rolou pelos degraus com um tilintar sonoro: ele não tinha podido fechar os dedinhos para segurá-la. O menino apertou o passo para ir mais longe - nem ele mesmo sabe aonde. Tem vontade de chorar; mas dessa vez tem medo e corre. Corre soprando os dedos. Uma angústia o domina, por se sentir tão só e abandonado, quando, de repente: Senhor! Que poderá ser ainda? Uma multidão que se detém, que olha com curiosidade. Em uma janela, através da vidraça, há três grandes bonecos vestidos com roupas vermelhas e verdes e que parecem vivos! Um velho sentado parece tocar violino, dois outros estão em pé junto dele e tocam violinos menores, e todos maneiam em cadência as delicadas cabeças, olham uns para os outros, enquanto seus lábios se mexem; falam, devem falar - de verdade - e, se não se ouve nada, é por causa da vidraça. O menino julgou, a princípio, que eram pessoas vivas, e, quando finalmente compreendeu que eram bonecos, pôs-se de súbito a rir. Nunca tinha visto bonecos assim, nem mesmo suspeitava que existissem! Certamente, desejaria chorar, mas era tão cômico, tão engraçado ver esses bonecos! De repente pareceu-lhe que alguém o puxava por trás. Um moleque grande, malvado, que estava ao lado dele, deu-lhe de repente um tapa na cabeça, derrubou o seu gorrinho e passou-lhe uma rasteira. O menino rolou pelo chão, algumas pessoas se puseram a gritar: aterrorizado, ele se levantou para fugir depressa e correu com quantas pernas tinha, sem saber para onde. Atravessou o portão de uma cocheira, penetrou num pátio e sentou-se atrás de um monte de lenha. "Aqui, pelo menos", refletiu ele, "não me acharão: está muito escuro."
Sentou-se e encolheu-se, sem poder retomar fôlego, de tanto medo, e bruscamente, pois foi muito rápido, sentiu um grande bem-estar, as mãos e os pés tinham deixado de doer, e sentia calor, muito calor, como ao pé de uma estufa. Subitamente se mexeu: um pouco mais e ia dormir! Como seria bom dormir nesse lugar! "Mais um instante e irei ver outra vez os bonecos", pensou o menino, que sorriu à sua lembrança: "Podia jurar que eram vivos!"... E de repente pareceu-lhe que sua mãe lhe cantava uma canção. "Mamãe, vou dormir; ah! como é bom dormir aqui!"
- Venha comigo, vamos ver a árvore de Natal, meu menino - murmurou repentinamente uma voz cheia de doçura.
Ele ainda pensava que era a mãe, mas não, não era ela. Quem então acabava de chamá-lo? Não vê quem, mas alguém está inclinado sobre ele e o abraça no escuro, estende-lhe os braços e... logo... Que claridade! A maravilhosa árvore de Natal! E agora não é um pinheiro, nunca tinha visto árvores semelhantes! Onde se encontra então nesse momento? Tudo brilha, tudo resplandece, e em torno, por toda parte, bonecos - mas não, são meninos e meninas, só que muito luminosos! Todos o cercam, como nas brincadeiras de roda, abraçam-no em seu vôo, tomam-no, levam-no com eles, e ele mesmo voa e vê: distingue sua mãe e lhe sorrir com ar feliz.
- Mamãe! Mamãe! Como é bom aqui, mamãe! - exclama a criança. De novo abraça seus companheiros, e gostaria de lhes contar bem depressa a história dos bonecos da vidraça... - Quem são vocês então, meninos? E vocês, meninas, quem são? - pergunta ele, sorrindo-lhes e mandando-lhes beijos.
- Isto... é a árvore de Natal de Cristo - respondem-lhe. - Todos os anos, neste dia, há, na casa de Cristo uma árvore de Natal para os meninos que não tiveram sua árvore na terra...
E soube assim que todos aqueles meninos e meninas tinham sido outrora crianças como ele, mas alguns tinham morrido, gelados nos cestos, onde tinham sido abandonados nos degraus das escadas dos palácios de Petersburgo; outros tinham morrido junto às amas, em algum dispensário finlandês; uns sobre o seio exaurido de suas mães, no tempo em que grassava, cruel, a fome de Samara; outros, ainda, sufocados pelo ar mefítico de um vagão de terceira classe. Mas todos estão ali nesse momento, todos são agora como anjos, todos juntos a Cristo, e Ele, no meio das crianças, estende as mãos para abençoá-las e às pobres mães... E as mães dessas crianças estão ali, todas, num lugar separado, e choram; cada uma reconhece seu filhinho ou filhinha que acorrem voando para elas, abraçam-nas, e com suas mãozinhas enxugam-lhes as lágrimas, recomendando-lhes que não chorem mais, que eles estão muito bem ali...
E nesse lugar, pela manhã, os porteiros descobriram o cadaverzinho de uma criança gelada junto de um monte de lenha. Procurou-se a mãe... Estava morta um pouco adiante; os dois se encontraram no céu, junto ao bom Deus.

*Fiódor Dostoievski (1821-1881), um dos maiores escritores russos do século XIX.
Para saber mais sobre o autor e sua obra, acesse o link abaixo:

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Republicando... e acrescentando... sempre mais do mesmo sobre o FUSO do ACRE

Mais uma História Brejeira!


Às voltas com o alvoroço causado, desde a última eleição, por causa do Referendo acerca do horário do Acre, recordei um conto interessante de nossa literatura, que vem bem a calhar para a proposição desta nota. 
Refiro-me ao conto O Plebiscito, cujo tempo da narrativa se passa em 1890. Publicado na coletânea Histórias Brejeiras (Ediouro), é um dos mais conhecidos de Arthur Azevedo. Nele se discute a necessidade de realizar um plebiscito para validar o regime republicano. Mas o tema do conto ultrapassa a situação histórica. Trata-se, antes de tudo, do retrato caricatural de um patriarca, o Sr. Rodrigues, protagonista do conto, que representa o pai de família que quer parecer “saber tudo” mas que na realidade nada sabe. O tipo de indivíduo que não pode admitir que desconhece o significado de uma palavra e, por isso, dar azo a uma discussão interminável acerca do assunto, dando a clara impressão de que não sabe perder ou aceitar verdade da perda, como queira o leitor!
Como bem disse Tereza Freire[1], “Arthur Azevedo é um desses casos crônicos em nossa literatura. Escritor mal avaliado e pouco estudado, foi rotulado como escritor de peças de teatro e contos superficiais e digestivos”. Na verdade, porém, “o autor (...) é um dos melhores talentos de seu tempo. Seu senso de humor é invejável. Sua percepção do meio social é aguda. Com isso, os escritos atingem aquele timbre da graça inteligente e crítica. O conto O Plebiscito (...) é de uma palpitante atualidade, pela progressiva pobreza verbal que assola o país e pelo escasso horizonte léxico que abrange umas tantas e repetidas palavras (...).” E aqui, no nosso Acre, acrescentamos que similar situação envolve igualmente umas tantas e repetidas idéias e ideais de um povo que, guerreiro, aprendeu a escolher e a referendar a sua preferência, mas que ainda não teve o seu direito de escolha respeitado.
A idéia de O Plebiscito, associada à nossa celeuma do Referendo, trouxe-me às têmporas a seguinte indagação: estaria uma parcela minoritária – muito minoritária mesmo! – da sociedade acreana precisando de esclarecimentos sobre o significado de Referendo?
Ô, pessoal do PT,
Aprendam a perder,
Deixem de criancice.
Já dizia Machado de Assis
Que idéia fixa é prenúncio de loucura...
Eu digo que, em período pré-eleitoral,
Desrespeitar a vontade do “Povo do Acre”
Pode parecer burrice!

Wallace Rocha



[1] TEREZA FREIRE é historiadora, com mestrado sobre Pagu pela PUC-SP. É roteirista e diretora do documentário Caminhos do Yoga, gravado na Índia em 2003, e autora do romance Selvagem como o vento, de 2002. Na televisão, cabe destacar seu trabalho como roteirista da série de documentários da STV, Diário de Viagem, sobre turismo no Nordeste, e como apresentadora do programa Contos da Meia-noite, da TV Cultura de São Paulo. Foi contemplada com o Programa de Ação Cultural (PAC) da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo, em 2006.

sábado, 12 de novembro de 2011

A mostrenga língua e suas expressões e impressões curiosas

Por que mostrenga? Sei lá! Talvez para suscitar um comentário do tipo: “Ih! Ele esqueceu o N.” Mas não esqueci não. É assim mesmo sem o N. Por quê? Historicamente há várias versões. Vou citar duas dentre tantas: a primeira é que deriva do italiano mostro; e a segunda que é etimologicamente uma deformação do castelhano mostrenco. Ambas são aceitáveis. Mas por que em português monstro tem N? Esta eu vou ficar devendo, mas arrisco um palpite: talvez pro monstro não ficar tão mostrengo! Afinal, em tempos de deformidades lingüísticas (estão o Lula e o Facebook pra provar), por que eu também não posso brincar? RS!
E por falar em deformidades, vamos nos deliciar com algumas pérolas. A começar pelas manchetes abaixo, publicadas em jornais de nossa capital:


É bem provável que o N que falta em mostrengo tenha vindo parar justamente neste arquivo seNcreto!
Do mesmo modo, como vi certo dia um amigo escrever harmonia sem o H, este mesmo H, talvez desolado por ter sido esquecido, deve ter vindo parar no ouve da matéria abaixo:


Mas como bem disse o Altino Machado: “Governo não “houve” mesmo!”
E a dança das letras continua. No caso abaixo, trocaram X por S. Vamos esperar que o X fujão, a exemplo da moça desaparecida e achada, seja também achado com a namorada... ou namorado... sei lá!


Mas saindo agora do erro ortográfico (forma) e partindo pro sintático (organização frasal) e semântico (sentido), vejamos a pérola abaixo. É um dos meus preferidos. Baleia... baleia... baleia... Acho que agora ele entendeu. Não? Paciência então!


Nenhum, porém, ficou tão inusitado quanto este que segue:


É o que eu sempre digo: a profissão de repórter está cada vez mais dinâmica, tem até que psicografar, pois o trabalhador braçal com certeza veio do além para fazer a matéria.
Mas pra não dizer que só a imprensa local comete os seus deslizes, vejamos outros casos engraçados e curiosos:
É fato: o trânsito anda mesmo caótico!


Quer ver mais uma?


Se aquele Jesus salva! Esse daí não perdoa!
Nem a polícia perdoou o estelionato na língua. Pra quem acha que a polícia é burra... Olha só!


Saímos então da língua dos outros pra cair na vagina dessa mulher.


Que coisa mais maluca é essa? Fico até imaginando o tamanho do prazer que uma coisa desse talhe pode causar!
Que o diga a Sheila aí embaixo... se tivesse uma tão grande, qual seria a dimensão do seu sucesso na praça, hein? Pois com todas essas qualidades... Sheila, minha filha, desculpa, mas eu também não sei por que você foi virar puta.


Mas saindo da genitália feminina, vamos parar num salão, a meu ver, de causar pesadelo a qualquer homem macho do sexo masculino. Não entro num lugar desses jamais! Nem que seja o último salão do mundo. Vai que eles derrapam na navalha, assim como derraparam na língua, e vão querer cortar o meu... RS! Sei lá! É bom não arriscar!


Seria preferível ser corno em terceira dimensão, vai ver que dói menos!


I’ll be back!



Wallace Rocha




 

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Um caso quase escatológico de falha de memória



             Quem nunca passou pela angustiante experiência de ter que se lembrar de alguma coisa ou do nome de alguém familiar e não consegue?... Ih!... “Deu um branco!” Do que eu estava falando mesmo?! Brincadeirinha! Pois bem: certamente não há quem nunca tenha passado por isso. O que quer que seja a ser lembrado parece estar à nossa frente, quase tocando a nossa língua, tentamos agarrá-lo desvairadamente como quem está em queda e não encontra um sustentáculo que possa salvar-lhe a vida, e é impossível resgatar a informação, que se esvai à sua frente como fumaça, causando-nos certa sensação de incapacidade, e aí ficamos nos perguntando como isso pode acontecer conosco, como nossa memória, até bem pouco tempo tão boa, possa ter falhado justo ali. Psicólogos chamam esse bloqueio de TOT – sigla em inglês para Tip Of the Tongue – literalmente em português “ponta da língua”.
Sabe-se que este fenômeno ocorre com qualquer tipo de pessoa, contudo é mais freqüente em pessoas mais idosas e está mais associado a substantivos, principalmente a nomes próprios. Certo é que, à medida que ficamos mais velhos, são armazenadas mais informações em nosso cérebro, e muitas vezes estas informações não estão estocadas em lugares específicos, mas em diversos pontos da nossa massa cinzenta. Assim, uma característica física de alguém ou de alguma coisa fica armazenada em um determinado local, e o nome está em outro. Então o cérebro, na tentativa de recuperar as informações durante as sinapses, pode falhar, dada a quantidade de informação a ser agrupada.
 Jerry Carvalho Borges, colunista da CH On-line, afirma que Diferentemente de outras palavras, os nomes próprios são arbitrários e nada nos dizem sobre o rosto das pessoas. No caso daqueles com quem temos relações mais próximas, há uma maior chance de reconhecimento, pois associamos os rostos com os nomes das pessoas. Há, portanto, mais possibilidades de conexões. É por isso que guardamos primeiro o nome dos melhores e dos piores alunos! O mesmo não vale para pessoas com quem temos relações mais distantes. Podemos até lembrar a letra inicial ou mesmo a sonoridade do nome, mas somos incapazes de recordar integralmente o nome da pessoa. Essa é uma das razões por que o TOT pode ser tão frustrante...” (grifo nosso)
            Pegando carona no último trecho dessa afirmação, aproveito para acrescentar alguma coisa à ciência, tirando o lado frustrante do TOT e atribuindo-lhe um pouco de irreverência, pois mesmo quando cérebro falha, ele ainda consegue fazer associações hilárias. Passarei agora a relatar o mais divertido caso de TOT de que tive conhecimento. Ele me foi narrado pelo meu amigo Felipe Russo e aconteceu com a sua avó:
           
A velhinha sentou numa cadeira na sala de espera da recepção da Unimed. Uma atendente aproximou-se e perguntou:
– Posso ajudá-la?
– Sim, minha filha. Ontem estive aqui para fazer alguns exames, e a moça me disse para retornar hoje para dar prosseguimento ao restante...
– A senhora sabe dizer o nome da atendente?
– Não me lembro bem... mas era um nome bem pequeno, poucas letras...
– A senhora não consegue lembrar?
– Não sei... acho que era OSTA...
– OSTA?! – perguntou a atendente em estado de surpresa, mas recordando de um referencial.
– É isso mesmo: OSTA! – disse a velhinha.
A atendente, toda delicada, disse-lhe então:
– Não seria ERDA?
Ao que retrucou a velhinha, já impaciente pela demora no atendimento:
– ERDA!... OSTA!... é tudo a mesma coisa! E pronto!

Essa é pra você, Felipinho. Boas risadas. Valeu!



Wallace Rocha



sábado, 22 de outubro de 2011

“Palavras, pensamentos, darão reminiscências, nada mais!”

Revisitando os meus arquivos sobre literatura, tive a impressão de que alguns escritores que eu costumava ler e que eram tão presentes no meu hobby de desbravar as irrealidades tinham sido, de algum modo, relegados, quer seja por um momento, pela crítica, pelo público, por mim e, quem sabe, pelo mundo. E nisso percebi no meu pensamento certo saudosismo.
Resolvi então escrever sobre eles, os relegados, dando um tom saudosista ao texto, mas pensei: teriam mesmo sido eles esquecidos? Eram tão presentes! São ainda tão presentes, que os revejo quase sempre! De fato a prova está aqui, esta idéia norteando a minha escrita. Claro que, às vezes, surgem novos escritores e novas formas de escrita interessantes, mas eu sempre retorno aos cânones, porque o que é bom será sempre eterno. Mesmo assim, essa breve impressão me fez descobrir, com pesar, que, se eu os esqueço momentaneamente, o mundo também pode esquecê-los. Creio que considerações assim também devem ocorrer a outros leitores. 
Resolvi então escrever sobre eles. Insisti. Mas como começar? Quem eram eles?
Que Haroldo Bloom tenha empreendido esforços para eternizar os seus 100 escritores em Gênio, Os 100 Autores Mais Criativos da História da Literatura, isso é louvável, louvável até certo ponto. Ao mesmo tempo explico e pergunto: Primeiro porque Bloom falou de genialidade, o que pode ter incluído, por ventura, alguns relegados; segundo porque eu pretendo falar sobre relegados, o que poderá, também por ventura, incluir alguns gênios. Então, de Harold Bloom para mim não há tanta diferença. Faço dos seus os meus e os apresento a seguir. Agora as perguntas: mas por que só 100? Por que tão poucos? De qualquer modo, estão entre eles – alguns relegados, outros gênios, outros loucos –, Homero, Tito Lucrécio, Virgílio, Sócrates, Platão, São Paulo, Santo Agostinho, Maomé, Geoffrey Chaucer, William Shakespeare, Miguel de Cervantes, Michel de Montaigne, John Milton, Dante Alighieri, Samuel Johnson, Luis Vaz de Camões, John Donne, Alexander Pope, James Boswell, Johan Wolfgang von Goethe, Sigmund Freud, Thomas Mann, Friedrich Nietzsche, Kierkegaard, Franz Kafka, Marcel Proust, Samuel Beckett, Molière, Henrik Ibsen, Anton Tchekhov, Oscar Wilde, Luigi Pirandello, Jonathan Swift, Jane Austen, Lady Murasaki, Nathaniel Hawthorne, Herman Melville, Charlotte Bronte, Emily Bronte, Virginia Woolf, Leon Tolstói, Ralph Waldo Emerson, Emily Dickinson, Robert Frost, Wallace Stevens, T. S. Eliot, William Wordsworth, Percy Shelley, John Keats, Giacomo Leopardi, Lorde Alfred Tennyson, Dante Gabriel Rossetti, Christina Rossetti, Walter Pater, Hugo von Hofmannsthal, Victor Hugo, Gérard de Nerval, Charles Baudelaire, Arthur Rimbaud, Paul Valéry, James Joyce, Alejo Carpentier, Octavio Paz, Stendhal, Mark Twain, William Faulkner, Ernest Hemingway, Flannery O´Connor, Walt Whitman, Fernando Pessoa, Hart Crane, Federico García Lorca, Luis Cernuda, George Eliot, Willa Cather, Edith Wharton, F. Scott Fitzgerald, Iris Murdoch, Gustave Flaubert, Eça de Queirós, Jorge Luis Borges, Italo Calvino, William Blake, D. H. Lawrence, Tennessee Williams, Rainer Maria Rilke, Eugenio Montale, Honoré de Balzac, Lewis Carroll, Henry James, Robert Browning, William Buttler Yeats, Charles Dickens, Fiodor Dostoiévski, Isaac Babel, Paul Celan, Ralph Ellison e Machado de Assis, o único autor brasileiro a constar da relação.
Lembrei-me então de Aristóteles, Sófocles, Ésquilo, Eurípedes, Giovanni Bocaccio, Thomas Moore, Erasmo de Roterdã, François Rabelais, Guimarães Rosa, José Saramago, Adolfo Bioy Casares, Roberto Bolaño, Julio Cortázar, Gabriel Garcia Marquez, Enrique Vila-Matas, Benito Lynch, Paul Groussac, Robert Musil, Samuel T. Coleridge, Edgar Allan Poe, Conan Doyle, Günter Grass, J. D. Salinger e suas razões obscuras de 57 anos de reclusão voluntária e Robert Walser, este último, a exemplo de Kafka, um caso intrigante de loucura e genialidade. E aqui teríamos pela frente, a perder de vista e de escrita, uma infinidade de outros autores a citar, antigos, clássicos e modernos, mas como isso já foi feito pelo mestre da crítica literária universal, que se esqueceu de contemplar estes poucos e outros mais que agora citamos, ou não os quis contemplar por critérios de estarem alguns ainda vivos e outros que desconhecemos, usamos também os mesmos pretextos, o do esquecimento e o do não-querer, ou outros mais, sejam eles quais forem, e ficamos por aqui, sabendo que existem mais, e pedindo desculpas por não termos sido tão mais abrangente, mas deixando a dica a Harold Bloom, caso ele pense em revisar Gênio... ou, quem sabe, revisar os conceitos sobre a Teoria do Humanitismo na obra de Machado de Assis que, em nossa opinião, Bloom deixou muito a desejar, por não saber explicar ou por não saber entender, seja o que for, mas isso é tema para outro texto.
Curiosamente, de todos os autores aqui citados, de esquecidos na verdade eles nada têm, pelo menos pra mim. Têm de gênios e de loucos todos eles um pouco, mas não de médico, que aqui não tratamos de medicina, mas de literatura e loucura, embora esta careça da medicina psiquiátrica, mas as duas imprescindivelmente carecem da literatura. Um ou outro, talvez, possa ter andado aí por alguma estante, um pouco empoeirado, mas certamente continuam todos bem vivos, vivos na memória da cultura universal, e por muito tempo ainda vão continuar, certamente vivos e a libertar ou a enlouquecer esse ou aquele leitor de intelecto mais suscetível, pois já dizia Plutarco que “os livros já levaram mais de um à sabedoria e mais de um à loucura.”
Mas a idéia de escrever sobre os relegados permanecia, e isso já me preocupava, pois estava se tornando uma idéia fixa, e como toda idéia fixa é mesmo prenúncio de loucura... ou genialidade (que pretensão a minha! refiro-me à loucura. RS!) –, andei e andei até aqui, perfiz círculos e quadrados nos labirintos literários, fui para frente e para trás, acabei meio perdido em divagações, sem norte, me encontrei perdido em nada. E eu, que esperava escrever sobre os esquecidos, por não saber exatamente o que escrever ou sobre quem escrever, afinal, pra mim são todos tão vivos, acabei por novamente relegá-los. E para provar a máxima do Barão de Itararé, aplicada a mim mesmo: “De onde menos se espera, daí é que não sai nada!” RS!
Restou-me apenas vasculhar onde fosse possível achar, e acabei me deparando, santa Internet, com as palavras do Mestre GENELOHIM em seu NEO LIBER LEGIS (dos quais eu nunca tinha ouvido falar, nem do livro nem do homem – AGORA SIM! – pensei – pelo menos desativei um lugar comum: De onde menos se espera pode sair alguma coisa sim! RS!), e percebi que o que estava escrito pelo Mestre traduzia exatamente o que eu pretendia dizer ou pelo menos abarcava em uma única idéia o meu pensamento de escrever sobre autores esquecidos, ao mesmo tempo dando ao texto o toque saudosista que pretendia. Como dos autores, de certa maneira, pelo menos de nome já comentei, restou-me o saudosismo.
Achando desnecessário, portanto, continuar a escrever em cima do já escrito e bem posto (Bloom e Genelohim, resguardadas a pouco conhecida filosofia iniciática deste e a mundialmente renomada crítica literária daquele, ambos bem distintos em sua diferenças), resolvi apenas citar as palavras do tal Mestre, para o deleite da minha inabilidade ou indolência na escrita.
Fiquemos então com essas lições. Talvez elas possam traduzir o que eu não consegui dizer.

“PALAVRAS, PENSAMENTOS, DARÃO REMINISCÊNCIAS, NADA MAIS!  (NLL, 99)
EXISTE a História, que inscreve na memória da Humanidade os fatos que considera relevantes.
MAS quantos fatos, trabalhos valiosos, exemplares, realizações importantes, desaparecem na voragem do tempo, perecendo junto com seus autores, relegados ao anonimato e ao esquecimento!...
SIM, existe uma memória preservada que confere continuidade e sentido à vida do homem na Terra. Mas o número de esquecidos, de desaparecidos, é cada dia maior...
QUE fazer de nossas vidas? Devemos perseguir a imortalidade da obra? Ou simplesmente viver o eterno presente, deixando que se apaguem os traços ou vestígios de nossa passagem pelo Planeta?
SE "na vida tudo passa", e os registros são incompletos, se estamos praticamente fadados ao esquecimento, valerá mesmo a pena empreender uma afanosa lide para realizar obra meritória de continuidade?”
           
            Certamente, contudo, haverá o tempo em que acontecerá o mesmo com Harold Bloom, Mestre Genelohim, com os escritores citados, comigo e com nós todos, que não passamos de seres mortais. Quem sabe, quando não mais pudermos escrever, no futuro outros poderão e falarão sobre alguns de nós. Seremos para eles, em algum momento, fruto da lembrança ou do esquecimento. E assim serão eles para seus descendentes. E tudo será apenas uma questão cronológica, já que nesse mundo sempre há quem lembre ou esqueça, quem nasça ou morra, seja na arte ou na vida ou nas duas, pois assim como a vida brota e fenece, o mundo – e tudo que há nele – se refaz... em algum tempo ou em algum lugar.
E isso é tudo! Mas não sei se me fiz entender...


Wallace Rocha



quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Alguém me explica, pelo amor de Deus!


Algumas coisas estranhas estão tão presentes no nosso cotidiano, que ficamos acostumados e não damos a elas a devida atenção, se é que merecem atenção alguma. Eu, por exemplo, andei meio acanhado em perceber certos fatos. Mas agora, não sei bem por que, talvez por curiosidade ou mero prazer do ócio eventual, me peguei a perceber essas nuances, que ocorrem à larga em nossa capital, predispondo-me a comentá-las. Umas, por não entendê-las; outras, porque são engraçadas; mas todas por diversão de quem não tem o que fazer mesmo.
Veja bem o caso desta placa de “vende-se esta casa”, na Invasão da Embratel, bairro São Francisco. Onde está a casa? Será que foi vendida e removida? Neste caso a placa seria bem literal. Fiquei curioso, mas não encontrei ninguém pra perguntar.


Esta outra, tão curiosa quanto a primeira, porém mais hilária, chama a atenção pelo insólito do aviso. Está localizada no bairro Chico Mendes. E seu autor é o Andeson (assim mesmo, sem o R). Segundo ele, não tinha sossego porque todos os dias batiam à sua porta perguntando-lhe se ele queria vender o terreno. Chateado com a situação, resolveu confeccionar a pérola abaixo. Agora, continua sem sossego porque passam o dia inteiro ligando perguntando-lhe: “Tu não vende mesmo não, Andeson?” Por que ele não tira a placa ou simplesmente o número do celular? Depois de dois minutos de conversa, percebi que o humor de Andeson não lhe permitia responder mais uma pergunta.  Não arrisquei. RS!


Dizem que a propaganda é a alma do negócio. Mas se alguns negócios dependerem de algumas propagandas, creio que irão de mal a pior... ou irão para alguma-outra-coisa que eu não entendi, a julgar pela expressão facial da proprietária do estabelecimento, localizado na Invasão do Caladinho, quando lhe perguntei o porquê de ela não vender banana se o nome do estabelecimento era “Casa da Banana”. Quase que ela deu uma “banana” pra gente. Saímos de lá como chegamos, curiosos, e com outra incerteza: será que tinha “frango, salsicha e calabresa”?


Outro caso inusitado é o dessa porta, no bairro Wanderley Dantas. Procurei explicação, mas até agora estou sem entender. Terá sido mera distração do engenheiro? Não o encontrei para perguntar. A construção está abandonada. E os moradores? Houve algum? Se houve, morreram lá dentro por não poderem sair ou desistiram de morar lá por não poderem entrar?


Ah! (pronunciado com êxtase) O Monumento da Praça da Revolução! Esse é o meu preferido. Por quê? Porque pra tudo há uma explicação. Menos pra isso! Que os sábios e os amantes das artes ininteligíveis perdoem a minha ignorância, mas o que é isso? Alguém sabe me dizer o que é? Alguém me explica, pelo amor de Deus!


E, para finalizar, nenhuma coisa me causou mais inquietação que essa. É o caso da escultura no Parque da Maternidade. Com todo o respeito que tenho pelos nossos povos nativos, essa escultura parece uma índia mal talhada. Que me perdoem os escultores, os amantes daquele tipo de arte e outros mais, mas aquela esdrúxula escultura é de lascar e não reflete a imagem da mulher acreana, tampouco de qualquer indígena da terra. Talvez reflita a imagem do tamanho do ego de quem a idealizou e o preço que pagou por ela. E o pior: como o nosso dinheiro.


Para essa, pelo amor de Deus!, eu não preciso de explicação!


Wallace Rocha



domingo, 2 de outubro de 2011

A baunilha e a vagina!



            A etimologia, estudo da origem, composição e evolução histórica dos vocábulos, bem como das regras e explicações dos significados deles por meio da análise dos elementos que os constituem através do tempo, sempre provocou em mim certo fascínio. Um caso curioso de etimologia, porém, já me causou, mais do que qualquer outro, perturbações quase filosóficas, se é que é possível filosofar sobre essas coisas, embora não tenha tido muito êxito no intento. Se não tenho muito a dizer sobre isso, contudo, vamos fazer como fazem os etimólogos e vamos tentar reconstruir informações sobre a semelhança entre a baunilha e a vagina, para que o leitor possa conhecê-las melhor e, quem sabe, a partir de agora, lembrar de uma quando estiver saboreando a outra, mas sem confundi-las, como me narrou ter feito um amigo oculto e muito culto certa vez. Saber demais às vezes atrapalha, disse ele.
Bem... feitas as apresentações das duas indivíduas, assim mesmo, com a, comecemos a exposição. Mas por qual? Hum... pela mais gostosa, é claro!
Comecemos: a vagina... ops!, quero dizer, a baunilha – estou falando de paladar, pessoal –  é um gênero de plantas trepadeiras (estou falando da baunilha ainda, não olhe para baixo) pertencentes à família das Orquidáceas. É encontrada em zonas tropicais e congrega mais de 100 espécies conhecidas. A partir dos frutos de algumas espécies, dentre elas a mais conhecida, Vanilla planifolia, obtém-se a especiaria comercialmente conhecida como baunilha. É uma espécie típica de regiões tropicais e foi originalmente cultivada pelos povos mesoamericanos pré-colombianos.
A vagina – agora sim!, pode olhar para a esquerda (do latim vagĭna, lit. "bainha") – é um canal do órgão sexual feminino dos mamíferos, parte do aparelho reprodutor, que se estende do colo do útero à vulva. Encontra-se em qualquer lugar do mundo e, apesar de alguns homens dizerem que mulher é tudo igual, sempre há quem procure uma vagina diferente. Recebeu este nome dos antigos latinos por acharem que a sua forma se assemelhava em estrutura e profundidade a uma bainha. É bem verdade, digamos, que a vagina também "guarda a espada”, se me permitem os leitores a comparação chula.
A baunilha era completamente desconhecida no Velho Mundo antes de Colombo. Exploradores espanhóis que chegaram à costa de Veracruz, no golfo do México, no início do século XVI, conheceram essa espécie de orquídea e, por não saberem o nome da tal planta, dada a dificuldade de comunicação com os nativos, puseram-lhe o nome de vainilla porque seu fruto se parecia com a bainha de uma espada, só que diminuta.
Já a vagina... era velha conhecida do Velho Mundo... e do Novo Mundo também, mesmo antes de ter sido descoberto novo... uma devassa, cobiçadíssima a vagina!
Também o termo baunilha, a exemplo de sua companheira mais cobiçada, derivou do mesmo termo latino vagina (bainha), vagem, em referência à profunda cavidade estigmática do gênero, bem semelhante à genitália feminina. O vocábulo baunilha, portanto, já deve ter deduzido o leitor, procede da composição das palavras vaina ou vagina (bainha) + o sufixo latino illa (pequena), derivando daí vainilla ou pequena vagina ou vagem.
A palavra baunilha entrou na língua inglesa no ano de 1754, quando o botânico Philip Miller escreveu sobre o gênero no seu Dicionário do Jardineiro. Na maioria das línguas a baunilha é designada por termos foneticamente muito semelhantes: vanilla em inglês, vanille em alemão, wanilia em polonês, vanilje em sueco, vanille em francês, vaniglia em italiano e vainilla em espanhol (note-se que v e ll em espanhol são pronunciados [b] e [lh]).
No português, escreve-se e fala-se baunilha com b e lh, talvez influenciado pela pronúncia do espanhol, com leves modificações morfológicas peculiares à estruturação de cada língua.   
Já a vagina... é vagina mesmo, latim clássico, em todo lugar, e todo mundo se entende e sabe para que serve!
A baunilha é a segunda especiaria mais cara do mundo, a seguir ao açafrão, devido à quantidade de trabalho necessária à sua produção. Apesar do seu custo, é muito apreciada pela sensação fisiológica da interação do paladar e olfato (flavor), que o autor Frederic Rosengarten, Jr. descreveu em The Book of Spices como "puro, apimentado, e delicado" e pelo seu aroma floral complexo descrito com um "bouquet peculiar". É usada em bolos e sobremesas, perfumes e na aromaterapia.
Já a vagina... também pode ser muito cara, principalmente se for de luxo, mas no mercado paralelo encontra-se por preços bastante acessíveis. Só não sei se tem no MercadoLivre! Quanto ao aroma e ao gosto, há controvérsias! Sabe-se que causa sensação fisiológica prazerosa, igual ou superior à da baunilha. É usada normalmente na cama, mas há quem prefira usá-la no carro, nas praias desertas ou até mesmo no meio da rua, nos pés de cerca ou nos caixas eletrônicos do Banco do Brasil, a exemplo do episódio ocorrido no terminal urbano há alguns meses em nossa capital!
A essa altura, creio que as semelhanças ficaram mais evidentes. O leitor, diferentemente do meu amigo muito culto e oculto, certamente já deve saber diferenciar as duas indivíduas. E também deve ter descoberto que, apesar de derivarem do mesmo termo latino, nada têm a ver com cheiro ou gosto, e seu consumo necessita de lugares apropriados – caixas eletrônicos? Que é isso?! Vai entender as latentes necessidades dos outros!
E aos que ainda não estão convencidos da minha explicação, afirmo que suas semelhanças são apenas um caso curioso de etimologia e circunstâncias textuais. Pode acreditar! Pronto!  
Como descobri tudo isso? Experimentando as duas coisas, é claro!... através da leitura! (Oh, leitor de mente poluída!) Também experimentando a língua portuguesa neste texto ou textículo, se preferir o leitor mais culto. Ah! E ainda visitando a Wikipedia e outro site imoral ou de moral duvidosa que embasaram meus escritos e que cito abaixo como referência.
Até o próximo texto. RS!

Wallace Rocha


Referências: